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Paisagem Introspectiva
Marise Ribeiro
Quando olho para dentro de mim,
vejo uma casa abandonada...
Vou percebendo o ambiente lúgubre,
depois de atravessar um longo e estreito caminho,
onde as amarguras brotaram,
quase vedando a passagem...
No alpendre, duas cadeiras vazias
de sonhos não realizados...
Farpas de lamento a soltar do chão da alma,
assim que a alcanço...
Um ranger seco
quando tento pôr sentimentos nos espaços empoeirados...
Teias de aranha balançando
onde ficavam expostos os momentos de aconchego...
No meu canto preferido,
os desejos já mofados se misturam
ao emaranhado de heras enraizadas nas vigas
que sustentavam minha estrutura,
tornando-as deterioradas e fracas...
Vou saindo de dentro de mim e,
quando ia apagar a luz para não mais ali voltar,
dirijo o olhar para fora...
... percebo, então, que havia deixado o portão aberto...
10/09/06 |
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Crepúsculo
Soni@ Pallone
"....Entre a tarde e a noite,
procuro a paz dos caminhos,
nos momentos em que cigarras invisíveis
sussurram o mesmo canto...
Velhas encostas úmidas, em ruínas,
invadidas de folhas sensíveis ao vento
fazem-me parar e apreciar
o belo triste,
o belo deteriorado pelo tempo
infalível e cruel...
Sem os meus passos,
só ouço o silencio movendo-se...
Só meu corpo perturba esta serenidade...
Só meu pensamento é a prova
de que eu ainda existo..."
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