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O
Homem Triste
Tere Penhabe
O homem triste passa novamente,
Como a empurrar a vida na calçada,
Tem um sorriso e olhar indiferente,
Mas dentro d'alma já não tem mais nada.
Quando o vejo passar tão tristemente,
Penso que tem a vida embriagada,
Às vezes dá um aceno levemente,
Como quem sente a mão muito cansada.
Olhar parado de quem já viu tudo,
De quem não ousa ter curiosidade,
Parece até que o seu destino é mudo...
Será que tem no peito uma saudade?
Será que tem um amor igual ao meu?
Parece bem mais triste do que eu!...
Santos,
20/03/2008
Chegaste
Tarde...
Tere Penhabe
Por que atrasaste tanto assim na vida?
Se o teu afeto foi tão esperado,
E nunca vi sequer passar ao lado.
Chegas agora só na despedida...
Por onde andavas, moço, em que avenida!?
Em que canto do mundo, em qual roçado...
Eu terei visto?... Por perto passado?
O teu sim, me fará desiludida!
Porque andei tanto pela vida a esmo,
Minha alma, sempre só, sempre a querer,
O que chegas, tão tarde, oferecer.
Segue pelo caminho... nesse mesmo...
Hás de encontrar na curva, antes do fim,
O grande amor que não achaste em mim!
Santos,
04/05/2008.
Conheces a Tal
Felicidade?
Tere Penhabe
Vieste me acordar... quanta maldade!
Logo agora que vinha tão faceira,
A me ofertar sorrisos, altaneira,
Essa doce mulher de meia-idade...
Sabes quem é? Conheces de verdade?
Diga-me, pois, se não é brincadeira,
Ela de fato mora na ribeira,
E o nome dela é Felicidade?
Sei que sonhei, mas sonho todo dia,
A minha vida é um sonhar constante,
E até no sonho vivo a procurar...
Falam-me tanto dessa tal magia,
O tempo me parece agonizante...
E ela é tão difícil de encontrar!
Santos,
14/11/2008
Perturbação
Tere Penhabe
Persigo um objetivo
insofismável.
Vejo obstáculos
que não me vêem,
incrustados nas paredes.
Perdem-se num vácuo imenso
ineficiência talvez
perturbação...
Um sábio chinês
disse-me uma vez
que nós somos três:
- O que nós queremos ser.
- O que querem que sejamos.
- E o que somos, realmente.
Todo o resto
perturbação somente.
Santos,
09/10/2004
Contos de
Bruxas
Tere Penhabe
Eu só decidi na virada do século
mudei meu discurso, meu credo
invoquei as bruxas, que sem falcatruas
ensinaram-me a amar!
No grande caldeirão de ervas
cozinhei as mágoas, de nuances várias
balsamizei meu coração, imune então
aos enganos cruéis que colhemos.
Os duendes se foram, também os anões
que bebiam demais na verdade
e a Branca de Neve era pura vaidade
o cavalo branco... mero egocentrismo.
Montei o meu baio e saí pela estrada
o vento no rosto, olhar na invernada
encontrei o sapo já tão difamado
com fama de filho do rei destronado.
Costurei sua boca, receita das bruxas
chega dessa lenga de contos de fadas
meu beijo eu só dou para quem merece
quem é meu parceiro e reza a minha prece.
E foi assim, que aprendi a rir...
Na cartilha das bruxas a lição eu li:
_ Não acreditar em tudo que ouvir_
esta é a receita para ser feliz!
Santos,
17/01/2007
Gosto e Não Gosto
Tere Penhabe
Gosto muito de poesia
Disso não faço segredo
Tendo poesia na vida
Da morte não tenho medo.
Escrevo sem corrimão
O que manda o coração
Não plagio nem arremedo.
Não gosto de gente falsa
Que posa de grão-vizir
Falando mal dos amigos
Quando não puderam vir.
Essa gente é perigosa
É amizade desastrosa
Não venham cá me invadir.
Gosto de roda de samba
E também de violeiro
Bossa nova, MPB
E de um clássico maneiro.
Depende do meu momento
A alegria ou sofrimento
É quem dita o meu roteiro.
Não gosto de enrolação
Seja de homem ou mulher
Deus nos deu o dom da fala
Para a gente se entender.
Quando posso sou de paz
Mas já expulsei Satanás
Que veio me aborrecer.
Gosto de uma cervejinha
Porém, o chop resolve
Hoje em dia tomo duas
Mas já tomei dezenove.
É preciso aproveitar
Enquanto está a ventar
Quando pára o vento, chove.
Não gosto de gente mole
Que está sempre reclamando
Não batalha pela vida
Vai a vida empurrando.
Já passei por mau pedaço,
E se calhar ainda passo
Mas ninguém me vê chorando.
Gosto do mar mais que tudo
Das madrugadas na areia
De ver o sol apontando
Indo embora a lua-cheia.
A natureza é sublime
Maltratá-la é um crime
Que só merece cadeia.
Não gosto de homem frouxo
Nem que seja boa-praça
Dizem que são os melhores
Mas dou passagem de graça.
E se for interesseiro
Não canta no meu terreiro
Que nem perto dele, passa.
Gosto muito de panquecas
Seja do jeito que for
Também pernil e pastel
É de comer com louvor
Sou muito boa de mesa
De cama na sobremesa
Mas com tempero do amor.
Não gosto de mulher feia
Nem de bonita também
Mulher na minha bateia
Eu garanto que não tem.
Não sou preconceituosa
Mas não venham com essa prosa
Que tere não diz amém.
Gosto de namoro antigo
Mesmo já estando passada
De andar sob o luar
Tendo a mão entrelaçada
Com outra mão carinhosa
Trocando um dedo de prosa
Que até pode ser rimada.
Não gosto de leviandade
Com santo nome de Deus
Ele merece respeito
De todos os filhos Seus.
Versejo as reflexões
Sempre sem más intenções
Em muitos dos versos meus.
Gosto demais de cordel
Não tentem compreender
Há quem diga que é encosto
Mas eu não quero saber.
No cordel eu exorcizo
Toda a dor que for preciso
Sem machucar nem bater.
Não gosto de mentirosos
Pestes que vêm do profundo
O que eles falam na frente
Nunca repetem no fundo.
Eu falo sim, bem ou mal
Mas precisando, é fatal:
- Repito até noutro mundo.
Gosto de ouvir só segredo
Que todo mundo já sabe
Porque se acaso escapar
Não há casa que desabe.
Eu tenho um segredo assim
Que eu escondo até de mim
Mas o mundo todo sabe.
Não gosto de prosa besta
Que parece não ter fim
Deixa cansada a platéia
Ninguém merece algo assim.
Essa está de grande monta
Passa a régua e fecha a conta
Que aqui tem que ser o fim!
Santos,
22/07/2008
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