Pequenos Gestos... Grandes Sentimentos
Mercêdes Pordeus



Um desejo de bom dia
Rompe o silêncio absoluto
Dá ao semelhante a garantia
De desarmar o interno luto.

Um abraço... Reedita uma história
Transforma uma vida simplória
Dela varre a parte vivida inglória
Para que na solidariedade alcance vitória.

Um toque... Rompe as barreiras
Abre entre os povos as fronteiras
Deixa a paz reinar na vida inteira
Transformando-a em boa sementeira.

Um gesto de carinho... Um afago
Tira do semelhante o gosto amargo
Que a vida possa ter-lhe imposto
Ao seu longo através do desgosto.

Um gesto de bondade... E ternura
Apaga de uma vida um triste cenário
Acorda o irmão com brandura
E torna o mundo mais igualitário.

Pequenos gestos que nos aproximam
Minimizam da vida o sofrimento
Afastam atitudes que nos aniquilam
E desabrocham grandes sentimentos.

Recife (PE)
Em 02/10/2007





As Dores da Natureza
Mercêdes Pordeus



Eu queria ter-te em meus braços
Assim te acarinhar em meu regaço
E te acercar com o meu abraço
Dar-te o carinho negado ao teu espaço
E da tua luta indefesa aliviar o cansaço.

Levantar feliz a tua bandeira
Empunhá-la firme e altaneira
De ti servir como uma sementeira
Ver-te bela e sempre lisonjeira
Sendo assim a estação primeira.

Sinto tanto ver-te tão triste assim!
Do teu canteiro cortaram o jasmim
Entristeceste-te por ti e por mim
Ah! Minha querida irmã natureza!
De ti, estão roubando a beleza.

Perguntas-me por te denominar irmã?
Minha querida, bela e ingênua natureza
Esqueceste? Somos filhas do mesmo criador!
E é por ser tua irmã que sinto a tua dor
Porque perdeste o brilho pelo devastador.

Amazônia! Amazônia! Devastada...
Hoje piso no teu solo desesperada
Por te ver tão triste e desamparada
Da bainha tiram a grande e vil espada
Que te feriu ao longo de tua jornada.

Boa Vista/RR
Mar/2007





As Dores da Escravidão
Mercêdes Pordeus



Eles vieram de tão longe, traziam consigo o medo,
As incertezas eram suas companheiras desde cedo.
Traziam o sofrimento antecipado dos seus receios
E as dores dos açoites, que já sentiam nos navios.

Mal chegavam, já eram analisados como animais,
Vendidos como meras mercadorias, artigos banais.
Trabalhavam duro e sofriam o peso da escravidão,
A cada chicotada e a cada açoite, a dor da solidão.

A cada ano as esperanças da liberdade se dissipavam,
Os seus filhos nasciam e naquele regime continuavam.
Enquanto os mais velhos as dores do flagelo sofriam,
Os ecos da noite nos traziam os sons dos que gemiam.

Ao longe era refletida desses ecos a repercussão
E o reflexo do som trazia a forte dor da servidão.
Pelo negro, no nosso país, através da escravidão
De terras longínquas a saudade do seu natal torrão.

Mais navios negreiros que aportavam e a história se repetia
Movimentos no Brasil a escravidão, aos poucos, se extinguia.
Castro Alves o poeta abolicionista que os seus ideais escrevia,
Vozes da África, Navio Negreiro, Os Escravos, primeira poesia.

O poeta abolicionista marcou época com sua primeira poesia
Mais um nordestino que com força e garra, nascido na Bahia,
Seus estudos de Direito na Faculdade de Recife realizaria
E o seu grande apogeu no Rio de Janeiro, ele consolidaria.

Vinte anos se passaram após a morte do grande Poeta
Para se realizar seu almejado sonho, seu grito de alerta,
Decretada extinta a escravidão e o grande Brasil desperta
Na Lei Áurea está implícita a nobreza da alma do poeta.


 

Nudez da Alma
Mercêdes Pordeus



Hoje eu quis me desnudar,
Não uma nudez corpórea,
Mas a nudez da alma
Dos sentimentos a libertar.

Quis me libertar dos preceitos
E de todos os preconceitos,
Das ilusões e sonhos desfeitos,
Tornar a minha vida perfeita.

Eu me vi diante de uma fonte
Vestida de branco, nos movimentos, leveza,
Soltando os cabelos e nela submergindo
Despi-me e me banhei suavemente.

Banhei-me naquela água límpida e transparente,
Naquela transparência deixei meus lamentos,
Revivi meus sonhos, os mais lindos sonhos
Liberei afinal todos os meus tormentos.

E foi nesse contexto que deixei os dissabores,
Criei meu quadro, realidade dos sonhos,
E foi emergindo daquela fonte ladeada de flores
Que compreendi da vida os amores.

Neste ato de imersão e emersão
Compreendi, ser hoje o amor presente
Desprovido, despojando-me das ilusões
Dei-me mais uma chance, neste amor presente.

Vivendo este amor sem conceitos pré-estabelecidos
Fluindo naturalmente o sonho da felicidade
Essa sim, hoje é minha doce realidade
Por Deus, realização dos sonhos concebidos.


Recife/Brasil


 


Divagações
Mercêdes Pordeus



Contemplei o céu...
Divaguei nas nuvens
Acompanhei a lua e as estrelas
E me encontrei pisando em terra firme.

Contemplei o oceano...
Mais uma vez divaguei, no horizonte
E me vi flutuando sobre intrépidas ondas
Outra vez me encontro na realidade... terra firme.

Contemplei o sol...
Seus belos raios brilhantes e dourados
Invadiram minha privacidade, astro real
Que me ofereceu sua força e luz como legado.

Contemplei a natureza...
Percorri com o olhar o belo arvoredo
Os beija-flores visitando a minha varanda
Num leve bailar, pensei serem brinquedos.

Contemplei o céu...
Outra vez divaguei e me senti um anjo
Deslizando através das nuvens, qual tapete de algodão
Encontrei Deus, e Ele me disse: sossega, és a minha criação.


Recife, 05.02.2005


 

 

Dizer Amo-Te
Mercêdes Pordeus



Dizer amo-te, é te aceitar como pessoa
Dizer amo-te, é te compreender
É compartilhar de tua vida como irmão
É acima de tudo uma tomada de posição

Atitude de renúncia e desapego material
Seguir ao lado daquele que sofre
É doação de si mesmo para melhorar o outro
Suprir suas necessidades quando preciso

É acordar pela manhã de bem com a vida
Bendizer a natureza, o balanço da folha ao vento
O cantar dos pássaros, curtir o colorido da borboleta
Observar o casulo que se desenvolve.

Dizer amo-te, é estender a mão ao próximo
E com ele caminhar pela estrada da vida
Em silêncio quando ele assim o quiser
Proferindo palavras atendendo seu apelo.

Dizer amo-te, é uma atitude necessária
Para melhorar nossa vida e a do outro
Contribuindo para o crescimento mútuo.
E nunca se arrepender de ter dito amo-te.


22/01/2004
 

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