|
No Silêncio de Uma Borboleta...
Maria Mercedes
Paiva
... E Deus compôs essa poesia cálida:
Fez o seu verso se vestir de seda
adormecer enquanto Ele cantava
lindo acalanto de alento verde...
Dormia ninfa e acordou crisálida.
Numa estrofe de acalentamento,
um doce afago ao soprar-lhe asas,
e as pintou com todas as matizes,
tons, subtons das cores mais básicas,
todas as nuances de um arco-íris!
E terminada do poema a etapa,
suavemente retirou-lhe a capa!
Veio à luz, o verso Criador,
que ressurgiu embelezando a terra
com seus desenhos, vôo multicor,
trazem a poesia, que ele encerra!
Verso rainha de sua espécie,
supera a todos a real falena...
Vaga encantos, com suavidade...
E no silêncio de uma borboleta
o Criador doou ao Ser poeta
toda magia, deste seu poema.
2004
Porão
Maria Mercedes
Paiva
Vai no vai da valsa, a vida pela avenida...
Nada é predeterminado, nem pré-definido
Você que fica aí definitivo,
ofendido!... Defendido...
Se sentindo cheio de razão!
Nós já discutimos isso!...
Você já sabia que era assim!
- claro que sim!
Então, não vem com esse papo
pra cima de mim!
A gente se vira como pode e
não se pode dar ao luxo de um talvez...
De um quem sabe... de um depois...
Por aí nada se escolhe:
pode ser padre, podre de rico,
pobre... se pode... pode...
Você sabe como as coisas são!
Onde fica, então, o amor?
Pra fora da portão!
Isso não importa. Você sabe que não!
Não se mistura trabalho com prazer!
Tenho que lutar muito pra sobreviver...
Cumpro a minha missão!...
Tira a mão!
Tenho que subir!
Claro que tenho que ir!
Quer deixar fechado esse raio de botão?!
Passaredo
Maria Mercedes
Paiva
Hoje, eu diria, não que o sol raiou,
mas que cor-de-rosou nas nuvens diáfanas.
E os pássaros
- os que não ficaram nos ninhos, pipiando -,
saíram em bando e passarinhavam alegres, voando
em contraste com todo aquele cor-de-rosamento...
Iam... voltavam
vão... vinho...
vôo circular...
Mas muito!...
Muito mais maciozinho,
do que eu possa falar!
Passaredo!
Que eu faria com o meu carinho
se não tivesse sua ternura
para me ameigar?
26-01-07
5.35 h
Primavera, Nova Era...
Maria Mercedes
Paiva
Deixa que chegue a brisa amena,
acordando os vegetais, com serestas...
Se espreguicem em novos rebentos...
de cantos e flores, ativas, sem pressa,
lancem sorrisos ao vento...
Deixa que voejem borboletas, abelhas, vespas...
que de pólen e mel, profetizam a promessa
entre ondas de verde, que ao vento, encrespa...
Deixa esses sons de carinhos,
que alados cantores, amantes, arquitetam
conforto de calor aos ovos nos ninhos...
Deixa vir, a brisa mensageira de longas vestes,
soprando beneplácitos verdes pelos caminhos...
com presságios de tempos fugazes:
"Despertem formas, cores, luzes e flores...
desabrochem do verde as suas benesses!"
"Despertem os sons do zanzar, zirzir, zoar, zunir...
sons de asas e veludos nos peitos cantores!..."
"Despertem a saudar a nova era!
Porque é chegada a elegante Primavera!"
|