Nasci um pequeno colibri
com penas furta-cores
e um bico fino e delicado.
Desorientado e sem saber
o que faz um pássaro recém-nascido,
joguei-me no mundo ainda desconhecido.
Fui me sentindo atraído pelo aroma das flores,
sem me importar com suas cores,
beleza ou diferentes sabores...
Aprendi também
a gostar da água adocicada
que, em potes pendurados,
colocavam aqueles
que me queriam bem.
As estações foram passando
e o meu corpo aumentando...
Tornei-me mais rápido, arisco,
e com isso conseguia
fugir de qualquer risco.
Até que um dia voando
senti uma dor muito forte...
... um estilingue certeiro
derrubou-me num canteiro
à espera da minha sorte.
Uma inesperada mão me segurou,
tratou do meu ferimento,
mas entre grades vivi
o meu maior sofrimento.
18/04/05
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