Minha alma propaga a dor pelo vento,
repousa nas folhas secas seu lamento,
mantém corações em suplícios,
chora árida, sem gotas de artifícios.
Perscruta no infinito, nos abismos
palavras que falem sem cor,
é única, não usa analogismos,
grita na cara do mundo o desamor.
Minha alma é assim... implicante,
é aquela alma de poeta:
a que não dói o bastante,
até cravar a dor quando tudo se aquieta.
É uma alma sádica... vingativa,
rejeita poesias de felicidade,
impõe que eu me coloque em carne viva,
para, num último golpe, entrar com a saudade.
08/02/07
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