Seus dedos vibravam no marfim...
Os acordes ecoavam em mim...
Traziam o prenúncio da partida...
Havia chegado a hora da despedida.
Nosso amor era uma melodia breve,
tocada com fervor, mas de harmonia leve;
e o que restou de tudo que vivemos
foram as canções que juntos compusemos.
Eu criava durante o dia a poesia;
ele elaborava na madrugada a harmonia...
Como os sons distintos do marfim branco e preto,
tornou-se dissonante nosso dueto.
Ficarão para sempre as partituras
a chorar em lamentos de amargura...
De repente, o acorde final do piano...
A platéia aplaude... Cerra-se o pano.
16/08/05
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