Testamento
Marise Ribeiro


 



Quando eu morrer,
que seja num dia qualquer,
mas quero ir com o entardecer,
no instante em que o sol se puser.

Quero deste mundo me esvair
como as cores que desmaiam,
depois que fúlgidas presenciaram
o dia em júbilos explodir.

Quero murchar
como uma flor ao final do dia,
depois que num período de travessia
o seu aroma espalhar.

Quero me diluir
como o sol que se enterra no horizonte,
preparando um novo cenário
para a lua surgir por trás do monte.

Quero para sempre adormecer,
quando o calor arrefecer
e a brisa fresca da tarde
acariciar as folhas sem alarde.

Quero findar o meu caminhar,
quando os pássaros em revoada
se aninharem em suas moradas
e o ciclo da vida recomeçar.

Aí sim... eu não serei mais nada!



05/07/05

 

 
 
 
 
 

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