Solitude
Marise Ribeiro






Despertei de um sono sem sonhos,
de uma noite silente e carente de você;
... nem o sonho foi comigo indulgente.

Penso no dia que viria,
uma coletânea de não-afazeres;
... nem os matizes do dia raiando
açulam em mim prazeres.

O sopro do vento frio
penetra nos poros abertos
da minha pele ainda quente,
doente da sua ausência,
dos seus beijos, dependente,
como a água nos desertos;
... nem esse vento me desnuda
da solidão que me inunda.

Um vazio de idéias na mente
deixa-me entorpecida,
entibiada de lutar pela vida,
tão hipnotizada pela descrença;
... até a esperança se cansa
e vai embora, enternecida.



02/06/05

 

 
 
 
 

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