Sinfonia de Gralhas
Marise Ribeiro


 



 

Chegando ao hotel em Varsóvia

dou uma volta nas cercanias

e nem percebo a vizinhança

que terei por alguns dias.

 

Dos galhos entrelaçados

de uma tília secular,

um pássaro pia assustado,

talvez almejando voar.

 

Mas outros vão se chegando

e muitos ninhos eu conto,

são tufos negros encravados

na solidez de seu tronco.

 

Várias famílias de gralhas

disputam o mesmo habitat,

invadindo com seu alarido

meu sono que não quer acordar.

 

O destino nos prega ironias

que marcam nossos caminhos,

na terra de Fryderyk Chopin,

pensando ouvir seus Noturnos,

as gralhas me presenteavam

com alvoroços diurnos.




Varsóvia 21/05/05



 


 

 
 
 
 
 

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