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Minha cidade, feitiço urbano do qual me ufano,
diversidade nos encontros de gente e natureza,
rara beleza!
Nobreza de prédios abraçados pelo mar,
num beijar de areia serpenteando saliências...
Maledicência na avenida da vida,
bandida e trancafiada pelo medo.
Rio de Janeiro,
canteiro de encantos e desencantos,
do sol que brilha cedo,
de tudo que vira enredo:
Carnaval, futebol, samba,
MPB, funk, pagode...
Carioquice cantada em ode.
Cidade que borda suas mazelas
em uma colcha verde com luzes de favelas.
Rio antigo, descascado, abandonado,
pichado, modificado a toda hora
por bocas que o teu sabor devoram.
Rio moderno, brejeiro, fraterno,
de peles sempre douradas, quase sem inverno.
Rio do lixo, desleixo, vans, camelôs...
Relevos e enlevos que o poeta cantou.
Rio que lança moda,
irreverência que a muitos incomoda.
Rio que é de janeiro, nasceu em março
e cresce o ano inteiro.
Rio da menina com graça e do pivete em desgraça,
Rio dos subúrbios, do trem que vai além,
do "bonde" no asfalto, assalto, "- Perdeu!"
Rio que não é seu e muito menos meu,
Rio que adormeceu.
Rio do céu sempre aberto ao azul-sorriso,
do falar de improviso,
Rio afirmativo e negativo,
Rio, aquele em que vivo
e de que tanto preciso.
Ainda que estejas em agonia,
que deixes de ser o cartão-postal do Brasil,
ainda que te maculem a fotografia,
Rio de Janeiro, meu amor primeiro,
serás a minha eterna poesia!
19/08/06
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