Quisera pensar que, às vezes, o sol nasce pra mim
e o seu brilho abre os olhos da minha inspiração,
mas não há céu pra que ele desponte assim,
somente a dor verte o sentir durante a escuridão.
Quisera ter sido hipnotizada por um olhar
e me ver caminhando em transe rumo ao paraíso,
mas cerraram as portas e eu não pude entrar,
ninguém sequer deixou um doído adeus como aviso.
Quisera que a vida me sorrisse de frente
e o amor chegasse, aquecendo-me com seu véu,
mas a felicidade atraída ao gelo fica entorpecente,
só a solidão traz o seu manto mais cruel.
Quisera... Ah! Como quisera ter paz
e cessar esta batalha dentro do meu peito,
mas a falta que um abraço me faz
leva-me a sangrar o poema mais imperfeito.
Todo este querer não passa de uma quimera
e só me resta almejar o que realmente importe...
Para que insistir nesta vã espera,
se tudo o que desejo está além... da morte?
24/09/06
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