Que se me apresenta um enigma,
faz-me construir um paradigma,
uma mulher em cordato desvelo
sem poder resvalar ao desmazelo?
Quem é você?...
Que me cobra imparcialidade,
põe em mim sons de passividade,
obriga-me a enterrar num ataúde
qualquer resquício de inquietude?
Quem é você?...
Que da lida não tira o sustento,
do jogo faz seu diário alento,
presenteia-me com noites insones
a fitar sua agenda de telefones?
Quem é você?...
Que se deita ao meu lado, indiferente
e ao olhá-lo, menino carente,
cubro-lhe o corpo com total zelo,
mesmo com um vulgar perfume em seu pelo?
Quem é você?...
Que transformou minha coragem em medo,
desconfigurou o promissor enredo
de quem caminhava pelas próprias pernas
e hoje é arrastada pelo chão das cavernas?
Quem é você?...
Que me adestra e me domina a fala,
faz da cozinha a minha sala,
coloca-me lentamente em estado terminal
e eu vou seguindo, achando natural?...
Quem é você?... Quem sou eu, afinal?
18/01/07
|