Possessão
Marise Ribeiro







Quantas mulheres há em mim?
Às vezes me pergunto e me perco na conta.
São tantas e tão diferentes que, enfim,
nem sei qual delas mais me afronta.
Será que são almas do passado,
atraídas a este corpo abandonado,
que vieram para me fazer companhia?
Não sei! Sei que as tenho uma por dia.
Mulher ingênua, romântica,
mulher guerreira, faceira,
covarde, inteligente, vadia,
realizada, mal-amada,
carente, independente...
Mulher insana, profana,
sensual, intelectual, artificial...
Algumas ávidas e viscerais,
outras suaves e angelicais,
mas todas verdadeiramente mulheres,
e nada mais.
Há aquelas que, sem pudor,
se desnudam ao amor,
as que se calam diante da dor,
as que gritam seus tormentos...
Há as submissas,
as suicidas, procurando lenimento.
Umas me fascinam,
outras me alucinam,
mas, com certeza, todas me dominam.
Quando acordo, uma vem logo me possuir
e sinto assim qual pele terei de vestir,
se de solidão ou de emoção,
se de felicidade ou de melancolia.
Todas são minhas bem-vindas musas,
pois, assim que surgem,
choram ou cantam em poesia.


24/04/06
 


 

 
 
 
 
 

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