Na escuridão dos meus medos
Sou pássaro cativo e sem canto
Asas caídas em desencanto
Proibido de sobrevoar arvoredos...
Depenado do meu instinto
Já nem sei mais aninhar
E o que ainda me resta ciscar
É a ilusão de um amor faminto.
Em outros tempos voei, voei...
Até ventos fortes domei
Hoje, entre garras vejo a solidão
E a fraqueza em sonhos de emigração...
Sou andorinha sem verão
Sabiá sem laranjeira
Bem-te-vi caído ao chão
João-de-barro sem companheira.
Sou beija-flor sem um jardim
Canário sem bela plumagem
Sou pássaro ferido na folhagem
Vendo a vida bater asas... de mim!
05/03/08
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