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I
Flores entrelaçadas em harmonia silenciosa
enfeitam a jarra pousada no centro da mesa...
As cortinas tremulantes pela brisa preguiçosa
intercalam sol e sombra nessa tristeza...
Um violão dedilhado ao longe chega a mim...
Melodia imprecisa como se desculpas pedisse,
por lembrar um amor que teve fim,
ao não superar o dia-a-dia da mesmice...
Culpa só minha?... Não! Sabemos bem!
Assim como a mobília que de lugar nunca mudamos,
não tentamos nossa rotina amorosa rearranjar...
Como fazer para esse amor reconquistar?
Não há como virarmos o jeito de ser pelo avesso,
mas talvez possamos comprar novas flores,
nas janelas, cortinas de diferentes cores...
Quem sabe não será um bom recomeço!?...
II
Todos os cômodos da casa redecoramos...
Móveis novos, enfeites de bom gosto...
O ambiente mofado pela dor arejamos,
até sorrisos floresceram em nosso rosto.
Permitimos a partida para um recomeço:
as mudanças físicas ali estavam... aparentes...
Menos em nós!... Ainda era o mesmo, o endereço
onde residiam nossos defeitos... latentes.
Olhos enfeitados pelo esmero baldado,
descobrimo-nos cada vez mais sós...
O choro do violão, novamente recordado,
era o som que substituía nossa calada voz.
Para que apostamos em nova decoração,
como um remédio inútil para paliar dores,
se nos esquecemos de desempoeirar a paixão
e de trocar a água estagnada das flores?...
29/06/07
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