Anos depois, a mesma cena, que ironia!
A chuva caía, lavando a poeira
das folhas agonizantes da roseira,
que nem mais florir podia...
Os pássaros, recolhidos pelo cinza
de um outono seco e em despedida,
dormitavam com o gotejar ranzinza
na cerca do jardim, apodrecida...
Meus olhos te acompanham na saída...
O mesmo filme sombrio se repetindo:
o silêncio quebrado pela porta batida
e a solidão na janela me sorrindo...
Nem me perguntou se poderia entrar!
Regressou com a dor e o pranto,
foi se instalando no mesmo lugar:
a minh'alma... seu melhor recanto.
Feito a roseira, não flori mais...
Os pássaros foram se aninhar noutro lugar
e a música que resta pr'eu escutar
é o gotejar das despedidas outonais...
31/03/07
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