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O seu olhar violou os meus mistérios,
guardados nas esquinas do tempo...
Debulhou-os, sofregamente, como passatempo,
transformando, em ruínas, meu império.
Não soube colher os frutos maduros
de um amor com sabor de outono...
Tirou-me a seiva de modo prematuro...
Despenquei em folhas secas ao abandono.
Suas ações enterraram meus desejos
e, com a corda entrelaçada em lacrimejos,
procurei reabilitar-me da abissal queda.
Hoje, regando a semente da vida no caminho,
o solo pedregoso só cultiva espinho...
... porque da minha sina ninguém se apieda.
06/08/05
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