Louca, eu?... Por que sofri por ti?
É só isso o que eu mereço ouvir,
depois desse tempo todo a te esperar?
É assim que tu vens me acarinhar?
Não... Não tens razão... Nunca fui louca!
Se fantasiava ardentes beijos em tua boca,
se desembarquei em cais sombrios,
ao enfrentar sozinha sonhos bravios...
Se reguei o amor em solo pedregoso,
ainda que ele brotasse defeituoso...
Se abrandei a saudade, sorvendo teu nome,
paliativo que não me matou a fome...
Nem assim fui eu a louca!...
Se ansiei sofregamente teu retorno,
mesmo sabendo que, como suborno,
usarias a tua voz a me convidar... rouca...
Se me fiz em retalhos por aí... fui tonta,
não tens o direito de me mostrar esta conta:
um adjetivo que me cospes sem piedade,
ao duvidares da minha insanidade...
Louco é aquele que a razão perdeu,
que é insensato, que está fora de si...
Então a louca não fui eu...
Foi meu coração... que insanamente morreu por ti.
01/05/07
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