Inútil Magia
Marise Ribeiro


 





 

Como brisa, quero desalinhar teus cabelos,

roçar e eriçar teus pelos,

virar vento e varrer de ti os mistérios.

 

Como sol, quero aquecer tua paixão,

deixar teu corpo em ebulição

para te subjugar ao meu império.

 

Como flor, perfumar tua noite,

inebriar-te até a embriaguez,

depois te possuir com o ardor da insensatez.

 

Como mar, sussurrar em teus ouvidos,

açular, com melodias de nereidas,

teus mais recônditos sentidos.

 

Como lua, fazer-te enamorado de mim,

deixando-te enfeitiçado pela madrugada

para que a todos meus desejos digas sim.

 

Como rio, conduzir meu curso a ti,

refrescar teus pés da caminhada

e, como gota ao deslizar por tua pele,

sentir-me um pouco abençoada.

 

Como estrela, guiar-te em minha direção,

nem que fosse um dia sequer.

Mas tudo isso não passa de uma ilusão,

se eu não sirvo nem como mulher.




04/11/05



 


 

 
 
 
 
 

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