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Inquietude |
A parede secular e descascada do casarão amarelo refletia numa pequena poça d'água. Um imenso flamboyant pendia do telhado encardido salpicando, no inerte reflexo, inúteis retalhos vermelhos de quietude.
Quietude alucinante!
Não me quero assim, como se fosse aquela pintura, que vejo todos os dias do meu lençol de cetim, depois de expulsar indiferente mais um de dentro de mim.
Não quero essa vida de ninguém!
Quero o bailado suave de dois corpos se encontrando. Quero a plenitude do vôo compartilhado. Quero sonhar o sonho inesperado. Quero a cor fúcsia dos indelicados. Quero carregar no ventre a metade de nós e não um fruto de todos. Quero o sabor agridoce do amor. Quero me refletir no que vier, pois quero ser apenas uma mulher!
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Site Editado em Abril
de 2006 |