Sem que eu percebesse, veio pra ficar...
Não pediu licença nem se fez anunciar...
No porão, as emoções exilou,
Cobriu-as com os panos do desgosto,
Defendeu o território a seu gosto:
Janelas cerrou e lágrimas destravou...
Um silêncio doído se fez presente...
Postou-se no espelho bem à minha frente...
Fica ali, cara a cara comigo,
E, mesmo desviando meu olhar,
Mostra-me o que não há a ocultar:
A solidão invadiu o meu abrigo...
Nesta fortaleza da dor vivemos nós duas
Sem perceber os dias e as luas,
Passando como nuvens apressadas...
Assim como a bela adormecida,
Na torre dos teares... esquecida,
Durmo as horas por ela envenenadas.
Meu corpo agora é sua morada
E, antes que um novo amor o invada,
Defesas de uma cidadela ali estabeleceu:
Cercou as boas lembranças com arame,
Para que eu não as conclame
A tirarem os meus dias deste breu...
Trouxe fantasmas do inferno,
Soprou o ar sombrio do inverno
E o fosso da tristeza encheu de aflição...
Será que jamais virá um cavaleiro,
Empunhando a espada do amor certeiro,
Para cravar no coração deste dragão?
03/04/08
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