Flor-Mulher

Marise Ribeiro


 


Sou a rosa que desfolhaste outrora,
voltei pra alimentar teus sonhos de agora;
sou aquela que, enamorado, olhavas e indagavas:
- Será que ela vai me querer ou me jogará fora?

Nenhum beija-flor te roubou de meus pensamentos,
por isso estou de volta, trouxe-te meu perfume,
inebria-te nele, liberta teus afogueamentos,
sente a minha pele e põe fim ao teu queixume!

Não sou mais botão, sou flor-mulher,
desabrochei-me em desejos e nem percebeste...
Não sou flor de campina, a que ninguém quer,
meu coração... há algum tempo já o colheste...

Não broto em desalinho pelos caminhos,
nem vergo à toa diante de vento algum,
mas trago nascidos em mim vários espinhos
que só o teu perdão arrancará... um a um.

Sê o meu canteiro, vaso ou jardim,
acolhe-me e me replanta em teu peito,
rega minha saudade até que ela tenha fim
e despetala meu sedento amor em teu leito.



14/07/06


 

 
 
 
 
 

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Página inserida em 01/11/06