Erva Daninha
Marise Ribeiro


 


 

O amor rompeu o labirinto do meu inconsciente:

de lá voaram os monstros da amargura,

encarcerados pelo meu tormento,

que há tempos me consumiam em sofrimento.

 

A solidão foi a primeira a gritar:

- Já tenho alguém que me faça sonhar!

A tristeza veio logo depois, vestindo-se em cores

e se transformando em alegria

pela descoberta de novos amores.

 

A melancolia foi saindo de mansinho,

procurando outro caminho para se instalar.

A dor, que era a regente de todos,

pediu perdão ao coração e se dissipou no ar.

 

Os maus pensamentos foram embora,

deixando seus filhotes ainda a serem criados

pelos sonhos de esperança renovados,

que passaram a me possuir agora.

 

O amor acabou por matar os que restavam:

a insônia, que me atormentou em demasia;

a falta de apetite, que me deixava sem forças;

e o medo que, de mãos dadas com os outros,

me acorrentava todos os dias à apatia.

 

Mas uma semente ficou e germinou:

era o ciúme que, como de costume,

só existia para o amor destruir.

Aos poucos, chamou a todos de volta...

E o labirinto da tortura começou a reconstruir.



31/07/05


 

 
 
 
 
 

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