Alô! Oi, minha amiga, como vai?
Que bom que você está bem!
Eu? Como vou?
Estou mal, não quero ver ninguém.
Resolvi trancar a esperança
no baú da desilusão,
jogar a chave fora,
sem chance de uma outra opção.
Por que?
Porque cansei de sofrer,
pedindo que ela não vá embora.
Quem é ela?
A fé! Estou perdendo-a de vez.
Cansei das guerras, da fome,
da miséria dos homens,
da carência de afetos,
da ausência de bons gestos.
Não vejo porvir para o amanhã.
Isso tem solução? Que solução?
Ah! Não me venha com pieguice...
Como se eu conseguisse
que o sorriso de uma criança
fizesse voltar a esperança!
Uma oração? Seria a solução?
Amiga, como posso orar sem ter fé.
Estou lhe falando, acredite...
Perdi a esperança, mas lhe agradeço o palpite.
Tentar novamente?
Já tentei, por favor, não insista...
Não é que eu resista...
Está bem! Está bem! Vou tentar...
Só porque é você quem está me pedindo,
mas não sei como vou a ela alcançar,
se já joguei fora a chave...
Se eu rezar com fé,
terei a resposta?
Está bem amiga, vou buscá-la... Até...
Alô, amiga, é você? Que bom!
Há quanto tempo!
Você tinha razão.
Descobri que não sabia rezar...
Agora, durante as minhas orações,
elevo meu pensamento ao Senhor
e a fé que havia perdido
voltou em forma de amor
e abriu meu coração.
Como estou me sentindo?
Com a alma em paz.
Eu não sabia mais como se faz
para rezar e chegar até Deus.
Bem, minha amiga,
agradeço a força e os ensinamentos
que você me deu...
Muito obrigada... e adeus.
05/07/05
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