Dói em mim tua vulgaridade
quando descarnas ao vento, sem piedade,
meu íntimo.
Nem um bálsamo de ungüento
para aliviar a ferida aberta
da minha alma descoberta
matará a sujeira do limo.
Posso vestir-me em vários panos
que sempre estarei nua.
Causaste ao meu orgulho sérios danos
ao lançar meus segredos na sarjeta da rua.
Águas sujas em línguas de outrem,
correndo pela vala afora,
infectaram-me.
Não me importa se um outro me vem...
Posso até esconder a ferida agora,
mas a vergonha já se alastrou
e do meu corpo se fez senhora.
27/02/06
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