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Suas mãozinhas não seguram bonecas, nem tampouco outras mãozinhas em uma ciranda de roda. Seguram uma lâmina afiada que ceifa a casca da mandioca. Sua boca sorve as lágrimas que escorrem. Lágrimas de fumaça da farinha torrada. Sua pele, ainda exalando o leite do colo materno prematuramente seco, traz feridas que jamais cicatrizarão: feridas da infância. Ajoelhada no solo de terra árida, terra da pátria amada, pátria mãe nem tão gentil, ela brinca com as cascas e gravetos, como se fosse um quebra-cabeça, o seu lego. Quando o dia se esvai, a fome que ronda suas entranhas e seus vermes é enganada pelo sono. Sono vazio. Sono sem sonhos. Que infância é essa, meu Deus? E o clamor ecoa em mim com a pior resposta: É a infância perdida! É a infância brasileira!
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Site Editado em Abril
de 2006 |