Desesperança
Marise Ribeiro


 



 

Suas mãozinhas não seguram bonecas,

nem tampouco outras mãozinhas

em uma ciranda de roda.

Seguram uma lâmina afiada

que ceifa a casca da mandioca.

Sua boca sorve as lágrimas que escorrem.

Lágrimas de fumaça da farinha torrada.

Sua pele, ainda exalando o leite

do colo materno prematuramente seco,

traz feridas que jamais cicatrizarão:

feridas da infância.

Ajoelhada no solo de terra árida,

terra da pátria amada,

pátria mãe nem tão gentil,

ela brinca com as cascas e gravetos,

como se fosse um quebra-cabeça, o seu lego.

Quando o dia se esvai,

a fome que ronda suas entranhas e

seus vermes é enganada pelo sono.

Sono vazio.  Sono sem sonhos.

Que infância é essa, meu Deus?

E o clamor ecoa em mim com a pior resposta:

É a infância perdida!

É a infância brasileira!




04/04/05
 

 

 
 
 
 
 

      Anterior   

     Próxima
 

Home

Índice



 
 

Para receber nosso
Boletim de Atualizações
cadastre seu e-mail

AQUI

Gostaria de traduzir
esta página?
Então clique

AQUI



 

 

  Site Editado em Abril de 2006
 Copyright
© 2006 - Marise Ribeiro
 Todos os direitos reservados.
 Proibida a cópia total ou parcial deste site.
 
 
 Quando não constar qualquer observação
 sobre a autoria das imagens base usadas nesse site,
 considere-se que foram capturadas na Internet,
 sendo portanto de uso sem restrições.
 
 Visualização Padrão 1024x768

Webmaster & Designer: Drica Del Nero