Abro fendas intermináveis,
ecoando gritos pelo tanto de tempo
que minha dor permitir...
Enlaço horas vazias prendendo-as a mim,
para que elas não deixem a paz acabar
com a orfandade da alma...
Pinto de negro minhas retinas
e, como sina de prisioneira,
não percebo nem noite nem dia...
Preciso desafiar a força dessa paz
que muitos acreditam existir,
mas que para mim não passou de utopia.
Quero ver se ela reabrirá a cortina
que me vedou a imagem do jardim,
onde um casal se sentava
e ela se fazia presente
no chilrear dos espectadores beija-flores,
no perfume exalado das flores,
no olhar apaixonado
que do casal emanava...
Tenho certeza de que ganharei
esta guerra permanentemente,
pois minha dor grita mais alto...
... eu bem sei...
Ela vem do profundo buraco que cavei
e em que me enterrei!
12/07/07
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