Crepúsculo da Solidão

Marise Ribeiro


 


O tempo lentamente escorre entre teus dedos...
Sem afetos, teu deserto atravessaste em romarias...
Guardaste no relicário do passado poucos segredos,
agora o mesmo tempo te mostra a conta em dias.

Vergando teus desenganos nesta silente melancolia,
esperas que a lenta contagem seja interrompida...
Mas será este o prêmio de uma corrida sem magia,
um retrato desbotado que levarás de despedida?

Fria e dormente sociedade que muito te discrimina,
sem reconhecer o significado abrangente da velhice...
Nem te permite matizar a alma por tuas fracas retinas
e o que te resta de anseios ela ainda chama de tolice.

Deixa o coração diluir o quanto zombaram de ti,
pois o que colheste de aprendizado é rara sabedoria...
Voar em sonhos não te desmereceu em nada até aqui,
deles te alimentaste e foste traçando tua filosofia.

Quando o amanhã chegar te mostrando o descanso,
sorri para todos que não te deram o merecido valor,
escuta a música de acalanto da tua alma em remanso,
vai ao encontro do teu intenso brilho... seja lá como for.



23/03/07

 

 
 
 
 
 

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Página inserida em 11/04/07