Cidade Ferida

Marise Ribeiro


 



Janelas fechadas, sombras esquivas, bocas caladas
Sorrisos enterrados, horror aflorado, ruas sitiadas
Balas perdidas, corpo estendido, noite deserta
Grades na alma da cidade que nem desperta.

Ah, saudades da minha infância em liberdade!
Brincadeiras com os meninos pobres do morro
Inocentes crianças sem complexo de desigualdade
Lembranças que na memória sem medo percorro.

Minha rua sempre em festa a transbordar alegria
Casas abertas, vizinhos falantes, beleza florida
Corta-me o coração vê-la preta e branca em fotografia
Ao compará-la com a de hoje de sangue colorida.

Famílias de luto, tragédia a cada sinal... esquina
Aquelas crianças... agora se chamam "menores"
O nosso medo... esse muito cresceu, virou sina
E tu, desesperança, a nossa alma em negro colores.

A violência corre solta nos fazendo reféns
Consumimos a covardia e não cobramos solução
Uma apenas, a que todos têm direito: educação
E nossas crianças sonhariam em ser “alguém”...

Minha cidade, ainda bela, invejada, visitada
Com profusão de turistas, pelo sol sempre invadida
Hoje, amedrontada, violentada, favelizada, mal falada
Rio de Janeiro, cidade maravilhosa... jaz esquecida.

16/04/07

 

 
 
 
 
 

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Página inserida em 29/08/07