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Liberta-me! Necessito voar!
Quero descobrir a parceria do amor,
sugar o adocicado da vida feito um beija-flor,
o pólen da fertilidade no ventre espalhar.
Arrebenta meu casulo!
Desse modo, as asas açulo...
Não posso me permitir secar
sem que, contra ti, ao menos tente lutar.
Tira-me da companhia dos dissabores!
Cansei deste cárcere em preto e branco!
Criarei asas de várias cores,
só assim minh'alma, lentamente, destranco.
Apressa-te! Não dá mais para esperar...
Preciso sentir o toque de um olhar,
o calor do desejo em meu deserto se espalhar...
Namorar com a lua quando ela despertar.
Não, solidão! Não faças isso!
Não abras novamente tua mão!... Não me recolhas!
Não abortes meu vôo ao paraíso!
Não me abandones novamente sem escolhas!
Inerte, sinto-a em mim entrar...
A noite desce muda e devagar...
Decepo as asas que começaram a nascer...
Curvo-me em larva... Deixo-a me adormecer.
18/04/06 |