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Sou atrevida, porque encaro a vida
sem meias-verdades, sem medida,
de peito aberto e alma destemida,
mesmo que dessa batalha saia ferida.
Sou atrevida, porque não me arrependo
de ousar experiências e me sentir crescendo,
de não ter vergonha do meu corpo amadurecendo,
de ao meu homem continuar acendendo.
Sou atrevida quando a poesia me atiça
e a minha pena não cala diante da injustiça.
Tenho fé, mas acreditar em Deus não é ir à missa
e nem aos dogmas da Igreja me sentir submissa.
Sou atrevida, porque abomino clausura,
sou liberta e meu pensar não admite censura,
luto e me rebelo contra qualquer ditadura,
mas... uma boa lambida me desestrutura.
Sou atrevida nos meus conceitos,
não admito a hipocrisia do preconceito,
adoro uma boa transa fora do leito,
principalmente quando me pegam de jeito.
Sou mulher, ora santa ora vadia, sou amiga,
mas não queiram me ver numa briga,
deixo o recato, cuspo impropérios, viro bandida,
e depois me arrependo de ter ficado enlouquecida.
Aonde isso me levará? Não sei.
Só o tempo dirá se seguirei de forma desmedida
ou se caminho para um apogeu suicida
27/10/05
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