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Abstrata |
Tenho um sonho recorrente que chega a mim nebuloso, embaçado, impreciso... É sempre a imagem de um rosto diante de um espelho fosco. Homem? Mulher? Não diviso.
Não consigo discernir um sorriso, só tristeza e lágrimas. É uma face sem traços... Tateio a figura como uma cega em total desamparo... Acordo e anseio seus braços, mas estou só... sem abraços.
Torturo-me em angústia e esmoreço... Procuro retornar ao sonho do começo, mas ele escondido, não dorme, deixando-me insone e sem entender o porquê daquele rosto disforme.
Fico pensando, com a alma partida, se isso acontece por ter sido ingrata: tinha você e não soube me doar, por isso o remorso a me matar. Falta um rosto que me arrebate, para que eu não viva de forma abstrata.
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Site Editado em Abril
de 2006 |