A música tocava lenta
em um choro de saudade,
e ela surgia no palco...
Como uma borboleta adejante,
a bailarina solista
os meus olhos encantava,
atenuando a dor
de tê-la perdido, um dia,
pelo egoísmo do amor.
A sua leveza agradável
fazia alucinar a paixão
que doía ainda no peito,
transformando em solidão
a ignorância do gesto
de tentar acorrentar sua arte,
ainda que sob protesto,
dentro do meu coração.
Os aplausos intermináveis
faziam-me ver, com certeza,
que, ao reabrirem as cortinas,
a minha doce menina
nem era mais dona dela;
... já pertencia à platéia,
pois dançava como a rima
que a todos enleva, sublima,
e ao meu coração ensina
que a arte nunca termina.
25/04/05
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