
Entreatos 41
“... Meu coração,
no compasso do
silêncio,
pulsa vagarosamente
dolorido...
Não vejo mais
sentido em
castigá-lo
e de saudades e
mágoas fustigá-lo...
Prefiro envenenar a
raiz
até matar, sem
liturgia,
esta espinhosa e
agonizante
poesia...”
Marise Ribeiro
02/04/08
Entreatos 42
“... Dentro do
peito,
em trilhas abertas
pela foice das
palavras,
desbravo o inóspito,
arranho-me com os
espinhos
dos nocivos verbos,
afugento adjetivos
trazidos pela
atmosfera da intriga
e com o olhar
na esperança que me
guia,
vislumbro sempre um
leito de amor
a me preparar doces
palavras:
bálsamo contra as
intempéries
desta estrada de
danosas
oratórias...”
Marise Ribeiro
05/07/08
Entreatos 43
“... A melodia de
uma palavra amiga,
o som vibrante que
emana de um abraço,
os acordes líricos
de um olhar
apaixonado,
sorrisos e risos
em tons e semitons
harmônicos
acariciando ouvidos,
e a sonora inocência
dos seres
de coração puro
representam,
para mim,
uma das mais belas
sinfonias da vida...
Para senti-la em
toda sua plenitude,
resta-me ensurdecer
a razão
e me deixar reger
pelo coração...”
Marise Ribeiro
27/10/08
Entreatos 44
“... Na incerteza da
direção do vento,
percebo-me, algumas
vezes,
enraizando segredos
na realidade
com medo de que eles
sejam levados
como pólen
fertilizador
de almas carnívoras.
Talvez a poesia os
desabroche,
já que sua confiante
mão
conduz-me sempre à
crença
de que sentimentos
lançados em vôo
livre
um dia pousarão
no sonho da
complacente
eternidade..."
Marise Ribeiro
28/10/08
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