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Sepultando Lembranças
Marise Ribeiro
Lembra-se da nossa cabana,
refúgio das nossas almas?
Hoje vive abandonada,
desde que me vi desamparada
quando você, com a maior calma,
disse-me que não sentia mais nada.
Nunca mais voltei lá...
A lua já não me inspirava,
a noite não me fortalecia,
nem a lareira me aquecia.
Ali eu compunha as poesias
que traduziam o nosso amor...
A atmosfera era mágica,
tudo explodia em cor.
A casa, praticamente em ruínas,
é o retrato do abandono
e a minha promissora inspiração
caiu num profundo sono.
Ao lhe escrever esta carta,
quero o seu consentimento
para a casa pôr abaixo...
Quem sabe, sepultando as lembranças,
a poetisa surja em renascimento
e volte a cantar esperanças.
26/06/05 |
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Demolição
Jorge Linhaça
4/08/2006
Recebo aqui a tua carta escrita,
com sentimentos de pura emoção...
propões de nosso amor a demolição
e me deixas com a alma contrita
Nossa cabana que tanto nos abrigou
em noites de amor e juras eternas
que viu o enlace de nossas pernas
e como o nosso amor se deteriorou
Ela é o símbolo de nossas lembranças
dos momentos plenos de nossa alegria
onde amamos quando fôramos crianças
Hoje é um monumento à nossa agonia
à perda das nossas eternas esperanças
e do amor que sonhamos juntos um dia. |