Renúncia
Jorge Humberto



Que é esta renúncia que não me deixa descanso
Que é do grito que renuncio em descaso
Sou como o rio que corre manso
E vai desaguar suas águas onde não passo

Todo eu sou sentimento à flor da pele
Não tenho porque aqui estar
Tudo o que é meu de mim impele
Quem dera um dia poder cá voltar

Já nem gente sou nem me proponho a ser
O que um dia soube gritar bem alto
Tudo o que faço ou penso fazer
Está montado neste lúgubre palco

Quis ser feliz um dia e fui derrota
Quis a luz e todas as suas fragrâncias
Ah, mas porque não vens à minha porta
Pôr-me flores com a maior das elegâncias?


Portugal - 24/05/06

http://br.geocities.com/apoesiacontinua/


 

 
 

Aceitação
Marise Ribeiro



Trago-te flores com as cores de um pedido
A elegância? Deixei-a no avesso da vida...
Tracei um caminho dolorido e desmedido
Teu perdão será meu teto, doce acolhida.

Vaguei em sombrias alamedas do medo
Senti o frio açoitando a solidão
Deitei-me em folhas secas do arvoredo
Que o vento acolchoava pelo chão.

Estou aqui, diante da tua porta
Aquela fragrância... Já se evaporou na luz
Deixa-me entrar, nada mais importa
O peso das angústias... Já purguei na cruz...

Pensei em te trazer conquistas
Pelas aventuras que ousei gabar
Mas ao voltar a ti, trouxe apenas a artista...
Deixa-me em teu palco novamente atuar!


24/05/06

 
 
 
 
 
 
 
 

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Página inserida em 11/10/06