Meu Ser Desajeitado
Jorge Humberto



Meu ser desajeitado não tem um sorriso sequer,
Anda aos tropeços - alma lânguida - pelas ruas
Desta cidade, indo desembocar, porque quer
Não porque sou ou fui, nas esquinas mais nuas.

Viça uma flor, no jardim, pego-lhe pela mão,
Ei-la quebrada pela haste. Oh, ser gentío,
Quem te fez assim, louco e lúcido de antemão,
Caminhando na solidão, até que venha o frio?

Ah, antes ser louco! mas como ser louco aqui?
Minha vida nunca teve principio, meio ou fim.
E meu ser desastrado, sem um gesto sequer,

Caminha errante pela vida, como qualquer
Cousa de surrealista, que não parecesse mal,
A quem como ela no seu frémito fosse igual.


03/05/07


 

 
 

Ajeitando a Solidão
Marise Ribeiro



Teu sorriso adormeceu distante da face
Não te interessa usá-lo como disfarce
Essa ausência de jeito é fruto da solidão
Falta-te um amor pra te pegar na mão.

Ajeita-te com os descaminhos do vento
Permite-lhe te carregar como a uma folha
Que se aquieta muda e deita seu alento
À espera que a terra seca a acolha...

Assim como em adubo a folha se tornou
Ofertando-te a flor que hoje quebras
Um amor por aí por certo te restou.

Deixa passar o frio que mora em ti
E na primavera loucamente tu celebras
Teu jardim que algum coração há de florir.


11/07/07

 
 
 
 
 

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Página inserida em 08/08/07