Desilusão
Marise Ribeiro



Vou imolar minha alma
no altar da solidão
e então baterei palmas
para esta decisão.

Os dias ensolarados
irão se tornar negritude
e os desejos inesperados
enfrentarão essa atitude.

Vou me lastimar da vida,
vivendo-a de um jeito torto
e a alma ressentida
tentará voar do meu corpo.

Vou prendê-la por castigo
para aprender a amar,
talvez um dia ela volte
de novo a se aventurar.



10/05/05

 

 

 
 

Desilusão
Carmo Vasconcelos


Julguei encaminhar-me
para um Porto de Desejos...
Viris
os contornos estavam lá...
        
Rompi o nevoeiro
e atraquei
levando comigo
sofreguidão de beijos
        
Viris
os contornos avistados
esfumaram-se
varridos pela língua das marés
que os não deixaram ser
        
Gelei na boca o beijo
petrifiquei abraços
e rumei
em busca de outro cais




(In Geometrias Intemporais)
Lisboa-Portugal

 
 
 
 
 
 
 
 

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