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Acerto de Contas
Marise Ribeiro
Ao fazer um balanço da minha vida,
para avaliar perdas e ganhos,
descubro que você me deixou desguarnecida,
com um desfalque de solidão sem tamanho.
O sorriso faliu, quando você partiu.
A alma logo pediu concordata
e, para sua recuperação, não há previsão de data.
Do coração houve grande retirada de emoção
e esse saque criou um baque de comoção.
Você enriqueceu ilicitamente sua dignidade,
roubando meus sonhos em grande monta,
debitou alegrias da minha felicidade,
creditou falsas ilusões na minha conta.
Procuro agora um grande investidor
que queira aplicar boas ações de amor,
dando um aporte de sentimentos,
para que eu suporte outros abatimentos.
Quando tiver recuperado meu capital
e o meu mundo for azul e não vermelho,
cobrarei com juros extorsivos todo mal,
deixando-o a esmolar afetos de joelhos.
10/11/05 |
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Ilegalidade
Luiz Poeta (
sbacem-rj ) - Luiz Gilberto de Barros
À meia-noite e 48 minutos do dia 16 de julho de 2006, sob inspiração do
lindo poema de
Marise Ribeiro " Acerto de Contas ".
Eu te roubei, reconheço,
Mas tu nunca reclamaste,
Virei-te até pelo avesso
E sabes bem que gostaste...
Roubei tuas fantasias,
Mas tu furtaste as minhas
Guardaste mais que podias
E eu quis bem mais do que tinhas.
Se te roubei, me roubaste
E... estranho, não percebeste
Que quando tu te calaste,
No fundo tu me perdeste.
Pois quando me permitias
Roubar tua solidão,
Tu certamente escondias
No peito, meu coração. |