Eu chego a ti nua e crua... despida de tudo
Na forma de um papel preto e branco... mudo
Escolhes os panos, texturas, cores... molduras
Sentindo-me e te enlevando suavemente costuras.
Às vezes mais de um tecido em mim modelas
Concluis que aquele corpo pede brilho... pincelas
Se me apresento tristonha, soturna... me escureces
Mas quando chego brincando... vibrante me teces.
A roupa é bela, mas não esvoaça... falta a dança
Faze-me então girar, girar... crio confiança
Mas onde está a música? Com qual vou bailar?
Teu coração seleciona a que vai emocionar...
Pronta estou para me mostrar... vestida de gala
Assinas a criação, no canto ou no rodapé... discreta
Muitos não vêem o teu valor nesta escala
Mas tua arte também te confere o epíteto de... Poeta!
20/10/07
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