Pai, hoje é dia de pensar em ti...
Não, eu não te esqueci.
Mas hoje a lembrança aflora,
E a minha saudade chora...
Este ano não quero chorar,
Quero apenas conversar
E preencher minha memória
Com os melhores momentos de nossa história...
Lembras pai, das tuas meninas,
Quando apontavas na esquina?
Apostávamos corrida descendo a ladeira,
Como todas as crianças, interesseiras,
Para recebermos as rosquinhas de manteiga,
E disputávamos nessa brincadeira
Quem seria a primeira contemplada.
Lembras pai, como eu era a menorzinha,
E de todas a mais magrinha?
Corria velozmente, sempre ganhava,
Então me apelidaste de lambretinha.
Lembras pai, adoravas colocar apelido!
Mexias com todo o mundo,
Vivias contando piadas,
Fazia-nos dar boas risadas!
Lembras pai, no Natal a casa cheia,
Os parentes todos na ceia,
Pois gostavas da família reunida?
Não vivíamos abastadamente,
Quatro filhas para alimentar e educar,
Mas ninguém ficava sem presente.
Lembras pai, quando ficamos mocinhas?
Organizavas as festinhas,
Que dávamos em nossa casa.
Ias pra cozinha controlar a "cuba libre",
Não querias ninguém de pilequinho.
Lembras pai, daquela poltrona na sala?
De lá policiavas nossos namoros,
Se pecássemos na ousadia,
Nem adiantava o choro,
O castigo era sair da varanda e do jardim
E namorar no sofá... aí a situação ficava ruim!
Lembras pai, quando ganhaste teu primeiro neto
Desta filha que hoje te fala?
Ainda tiveste tempo para curti-lo,
Pouco, eu sei, só cinco anos minguados,
Mas foram anos intensos,
E partiste como avô realizado.
Pois é pai, há muitos fatos para lembrar,
Mas não posso me estender muito,
Senão a saudade aumenta,
O meu coração não aguenta
E começa a ficar apertado...
Vai pai, vai para teu cantinho no céu
E nunca nos deixes ao léu...
Junto com a proteção de Deus
Olha por nós aqui... um beijo e adeus!
13/08/05
Música: Without a Father - Ernesto Cortazar
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